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O Camel Phat 3, como o próprio nome indica, é a terceira geração deste processador, que foi um dos primeiros lançamentos da Camel Audio. Na sua base está um excelente banco de filtros ao qual foram acrescentadas unidades de flanging, EQ, compressão, distorção, e finalmente um controlo principal de volume. O produto é apresentado globalmente como uma unidade multi-efeitos de “phattening”, e, de facto, é basicamente isso. O seu painel é quase auto explicativo, e o banco de programas de fábrica que vem incluído dá-nos logo uma boa ideia das possibilidades colocadas ao nosso dispor com a sua instalação. O Camel Space, por sua vez, é uma estreia absoluta. É apresentado como uma unidade multi-efeitos rítmica, com trance-gate e filtro. Basicamente, trata-se também de uma unidade baseada nos mesmos filtros do Camel Phat, mas desta vez controlados por um sequenciador de padrões. Os padrões controlam o já citado trance-gate, o qual irá modular o filtro, a panorâmica e o volume, individualmente ou em conjunto. Temos até oito padrões em cada programa, o que dá até 128 passos. Para completar a unidade, temos um optimizador de áudio (com excitador e saturação suave), retardamento estéreo sincronizado, auto-panorâmica, flanger e reverberação.
O que fazem e como fazem
À partida, o que se obtém com o Camel Phat 3 e com o Camel Space já deve ser suficientemente óbvio neste momento. No entanto, as coisas não são tão óbvias assim. Começámos por abrir os processadores no Peak Pro, mas para nossa surpresa, os resultados com o Camel Phat 3 foram assim-assim, mas longe do esperado. Com o Camel Space foi o desastre total – o som não se movia, simplesmente, e as mesmerizantes sequências de áudio que esperávamos não aconteciam. Embora o manual seja praticamente omisso nesse aspecto, suspeitámos que o relógio interno dos processadores (o que faz mover os LFO’s, o sequenciador de padrões, etc.) deveria ser activado via MIDI, pelo que necessitaria de um hospedeiro sequenciador, que lhe transmitisse os impulsos necessários para fazer “mexer o circuito”. Lançámos pois o nosso fiel Logic Pro, e aí estávamos nós – de repente, o Camel Space começou a mexer o áudio por todo o lado, e as pulsações do Camel Phat 3 finalmente davam sinal de si. Agora sim, estávamos prontos para começar a nossa apreciação, mas de qualquer forma, aqui fica esta nota – tratam-se de dois processadores pensados para sequenciadores, ou pelo menos hospedeiros que passem informação de tempo, pelo que, se pensavam usá-los no vosso editor de áudio favorito, esqueçam – a coisa não vai funcionar. De resto, tínhamos finalmente aquilo que era anunciado pela Camel Audio, e que nós esperávamos – da parte do Camel Phat 3, processamento essencialmente dedicado a transformar o áudio – podemos tornar um tapete de cordas numa batida de percussão, ou então podemos transformar uma frase limpa de guitarra num “riff” grunge bem à maneira. Reparámos, aliás, na grande profusão de programas dedicados à bateria, pelo que resolvemos também testá-lo extensivamente com esse tipo de material. Da parte do Camel Space, a sua principal função é transformar áudio estático em áudio dinâmico, de forma mais subtil ou mais drástica, mas a sua principal funcionalidade será sobretudo na movimentação de tapetes sustentados, embora possamos também usá-lo com resultados surpreendentes em frases de bateria, recriando e transformando ritmos e batidas, os quais podem ser acrescentados aos originais ou simplesmente substituir estes. De qualquer forma, há um factor importantíssimo que tem de ser observado – uma vez que o relógio interno dos processadores está dependente do sequenciador, o áudio terá de estar também bem sincronizado com a batida de base, ou poderemos sofrer alguns abanões rítmicos, que serão tanto mais desagradáveis quanto maior for a diferença entre o áudio de base e a batida interna da sequência.
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