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Edição Nº118
 
 
Abril 2013
 
REPORTAGEM: Zorro – O Musical, Teatro Rivoli

REPORTAGEM: José Fortes

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NORTON AUDIO
Norton Audio em Frankfurt: Imagem renovada e muitas novidades
 
A empresa portuguesa Norton Audio tem percorrido um longo percurso na sua expansão internacional. Das suas origens em Coimbra em 1991, a empresa do Eng. António Antunes e de Sidónio Clemêncio transformaram-se num dos fabricantes de soluções de áudio profissional com maior prestígio internacional, contando actualmente com centenas de sistemas de PA em utilização em todo mundo, da Alemanha ao Brasil e à Ásia. Com uma gama de sistemas de line source array que compete directamente com os maiores nomes da indústria áudio, a Norton Audio entendeu que este seria um ano de renovação total da sua imagem corporativa, apresentando-se na Prolight+Sound 2012 com um novo logótipo, nova literatura promocional, um stand extremamente bem desenhado e... sobretudo, muitas novidades na sua gama de produtos. Tal como explicava António Antunes, “é tudo novo!”.
 
02.06.2012
 

Tal como já tinha acontecido na edição do ano passado, a portuguesa Norton Audio teve uma das presenças mais destacadas na Prolight+Sound 2012, apresentando-se com um stand de grandes dimensões, uma nova imagem, vários novos produtos em estreia e a renovação “por dentro” das suas principais soluções de line source array, subgraves e amplificação.

Na área directamente à saída para o exterior do pavilhão 8 da Prolight+Sound, o palco de demonstrações permitia escutar de hora a hora o sistema LS3 (com quatro elementos por lado) em conjunto com uma bateria de 8 subgraves SB118, curiosamente, alternando com os sistemas de line array de outra marca portuguesa, a Next Pro Audio. Uma excelente mostra do dinamismo das empresas portuguesas de áudio profissional.

Além desta área de demonstração mais perto do Pavilhão 8, na área de demonstrações de PA já no parque de estacionamento da Messe, a uma boa distância, a Norton Audio apresentava outra demonstração de maior escala, com seis elementos LS4 também de nova geração.

Para perceber do que se tratava esta “nova geração” era preciso passar pelo stand da Norton Audio onde se podia encontrar em exposição a gama completa dos seus produtos – aparentemente familiares – mas que reservavam algumas surpresas para quem interrogava a equipa técnica ali presente, combinando os responsáveis portugueses, assistidos por José Luis Matos e distribuidores de Espanha, Alemanha e até do Brasil.

Como dizíamos, tudo estava à vista, mas somente para os que reconheciam, ou pelo menos percebiam que existia algo de diferente nos sistemas LS3, LS2, LS4 e ALS1 que estavam em demonstração no stand. Claro que a marca de Coimbra mostrava também um novo elemento de line source array de grande dimensão, o único que estava já em condições de ser mostrado, sobretudo para se recolherem impressões do mercado potencial. Concretamente estamos a falar do novo sistema LS9 – este presente no stand – que irá ser complementado pelo novo LS6 – que não estava ainda presente porque não ficou pronto a tempo de Frankfurt, mas era apresentado em catálogo – sendo ambos soluções de alto desempenho, para responderem a aplicações de grande reforço com audiências numerosas. O LS6 é um sistema de médio porte, enquanto o LS9 é um sistema de grande porte, ideal para ser utilizado em instalações com grandes zonas de cobertura ou para digressões de grande escala.

Aliás, o LS9 é um line source array numa versão um pouco maior do já reconhecido LS8 usado pela Gabisom no Brasil e no Rock in Rio, e ficámos a saber que este contava já com o novo guia de onda EPPIC (Elliptical Plane Progression IsoPhasic Coupler) numa versão aperfeiçoada da patente original da Norton e que entretanto está a ser introduzida também nos sistemas já conhecidos da marca.



Os novos desenvolvimentos

A Produção Áudio falou com o Engº António Antunes, responsável pela I&D da Norton Audio que lá nos foi revelando algumas das particularidades destes novos sistemas em fase final de desenvolvimento.

“Temos andado de volta de um novo guia de ondas e novas ideias para o guia de ondas das nossas soluções”, explicava António Antunes. “Todos os nossos produtos estão baseados na patente do guia de onda EPPIC e temos estado a aperfeiçoar esta tecnologia de forma a lidar com os defeitos que sempre existem, para além das virtudes já reconhecidas. Estamo-nos a afastar cada vez mais da abordagem do Christian Heil (nr: fundador da L-Acoustics e autor do guia de onda DOSC que esteve na base dos primeiros sistemas de line array). Entretanto, detectámos problemas com a geometria dos guias de onda e tentámos manter o caminho constante, controlar o crescimento da abertura dentro do guia de ondas (exponencial) e temos tentado eliminar todas as irregularidades antes da saída, o que tem um reflexo grande na qualidade dos sistemas”.

“Os guias de onda actuais continuam com um problema, apesar de já serem bastante bons: apesar de permitirem um caminho constante para o direccionamento das frequências, a sua geometria não é ainda a mais favorável para a impedância dos motores de agudos. Isto tem a ver com a expansão da superfície cortada, que vai sempre influenciar a frente de onda”, explica o responsável técnico.

Acusticamente este novo guia é bastante diferente, embora a nível da resposta de frequências seja muito semelhante. Isto pode parecer confuso, mas como nos diz Antunes “é algo que é difícil de explicar só na teoria. Embora responda na mesma gama de frequências, tenha o mesmo ganho, etc., apresenta menos ressonâncias, o que tem a ver com a razão por que foi desenhado”.

“O último resultado que obtivemos aproxima-se da frente de onda plana e basicamente perfeita, com maior homogeneidade na pressão acústica resultante. Esta evolução no motor acústico isofásico mostrou-nos um percurso bastante melhorado com esta nova abordagem, sobretudo em termos de dispersão horizontal com valores constantes. Esta tecnologia nova é o que estamos aqui a mostrar e que temos vindo inclusivamente a modificar nas caixas antigas porque eram geometricamente compatíveis. O LS3 e o LS4 foram agora “modificados” para integrar os novos guias de onda. Embora este novo guia EPPIC possa ser colocado dentro dos sistemas LS3 e LS4, a ideia não é modificar estes sistemas, mas sim criar um novo sistema. Os sistemas que estão a tocar lá fora já têm este novo guia de onda e pode constatar-se que se modifica completamente a sonoridade do sistema. Quem conhece estes sistemas, poderá constatar que, para além do aspecto exterior ser semelhante, a sonoridade é completamente diferente. Pensámos obviamente que, tendo uma tecnologia nova, valia a pena melhorar os sistemas existentes. Claro que este desenvolvimento também serviu para potenciar sobretudo os produtos novos. O principal ganho desta nova tecnologia é acusticamente vantajosa, embora em termos de medição pura da resposta em frequência e em fase os resultados sejam muito aproximado, porque os sistemas já eram excelentes, extremamente lineares. A diferença está sobretudo na coerência da dispersão a grandes distâncias, onde se eliminaram algumas irregularidades nalgumas frequências que antes eram corrigidas e que agora são geradas de forma mais aproximada da perfeição. Na nossa perspectiva, em vez de estarmos a corrigir as frequências que são problemáticas nos sistemas, atenuando, devemos tentar resolver os problemas na origem. O resto são brincadeiras”.

“Isto representou muitas horas de trabalho e muitos meses de investigação. Basicamente a patente é a mesma do guia de onda EPPIC só que agora aperfeiçoada. Aproveitando as propriedades únicas deste nosso dispositivo que tem um caminho progressivo constante, segundo uma função exponencial, muito favorável. Neste novo sistema, cada secção do guia de ondas tem um resultado exponencial que favorece a carga do motor. Isso foi conseguido e o resultado, em termos acústicos, é audível”.

“Se olharmos apenas para as características técnicas, parece tudo muito semelhante, mas o som é completamente diferente. Neste caso, também mudámos de drivers e trabalhámos com o nosso fornecedor (a alemã BMS) para conseguir o resultado que queríamos nos novos sistemas, optando neste caso pelos novos drivers coaxiais que algumas marcas conhecidas estão a copiar de forma um pouco deselegante”.

“Nos produtos novos, como o LS9, tentámos explorar esta nova tecnologia com uma abordagem nova. Uma das vertentes do nosso negócio tem sido a produção de equipamento em regime OEM. No Brasil, fizemos um desenvolvimento desse tipo para uma empresa que tem o direito de exclusividade nesse país, como aconteceu com o LS8 que começou por ser a resposta a um projecto desse tipo, onde havia necessidade de fazer som para um milhão de pessoas.... Noutros territórios, a Norton Audio comercializa versões diferentes desse mesmo produto para outros países. No LS9, o que procurámos fazer foi uma caixa gigantesca, com dois altifalantes de 18” e um centro muito interessante com um sistema de médios também em modo isofásico com um labirinto que divide o som em quatro canais. Outro aspecto inovador é o sistema de rigging apropriado para suportar os 160 quilos que pesa cada caixa. O sistema está preparado para levar os três amplificadores integrados, mas neste caso estamos a mostrar a versão passiva. O guia de ondas triplo para os agudos é já o da nova geração”.

“Este é um sistema que, com condições atmosféricas favoráveis, permite garantir uma total coerência a 100 metros, em todas as frequências. Desde que se tenha o comprimento de linha correcto no array, com cerca de 12 elementos por lado”.

“Os amplificadores que estamos a usar – os Norton CF10 – usam a tecnologia da Camco que, na nossa opinião é a melhor tecnologia actualmente no mercado, com um DSP cinco estrelas. Estamos a usar a rede UMAN (com suporte AVB nativo) que pode distribuir o áudio e controlar tudo. Mas o software de controlo ainda está em desenvolvimento”. Estes amplificadores de 4300 watts por canal a 4 Ohm usam uma topologia híbrida Classe H distinguem-se pelo aspecto “limpo” do painel, praticamente sem botões ou comutadores, sendo o controlo feito através do ecrã com uma interface simples, com slider de ganho. Os CF10 têm um circuito de sinal directo da entrada para a saída, passando ao lado de conversores A/D e da placa opcional DSP, quando esta não está a ser usada, permitindo assim um sistema sem latência. A entrada de rede está também ligada directa ao canal de amplificação, permitindo escolher entre domínios analógico ou digital.

Segundo o que se podia ver em Frankfurt, por fora o LS9 é semelhante ao LS8, tendo um ângulo de caixa ligeiramente menos acentuado. Mas a sua zona central é diferente, conta com o novo guia de onda, sendo que também o dispositivo de rigging é totalmente diferente, pensando para suportar uma caixa de grandes dimensões e pesos muito superiores, ao mesmo tempo que facilita bastante a orientação do ângulo do array com base num sistema mecânico completamente novo e que mostramos nas imagens.

Internamente, o LS9 conta então com dois altifalantes de 18” para os graves, quatro altifalantes de 8” para os médios e 3 motores coaxiais de 1,5” para os agudos. Neste momento, a Norton tem já um sistema destes nas mãos de um cliente no Brasil, que conta já com 48 elementos, estando na altura mais 24 a sair da fábrica.



O novo LS6

Sobre o novo sistema LS6 – que como dizíamos, ainda não se encontrava em exposição em Frankfurt – ficámos a saber que se de trata de uma solução de line source array também completamente nova, tirando todos os benefícios do novo guia de onda EPPIC de nova geração da Norton Audio.

O LS6 é assim um elemento de quatro vias, com altifalantes de 12” para os graves e com o novo desenho no seu guia de onda a possibilitar dois tipos de dispersão horizontal, uma dispersão extra-larga, que pode chegar aos 180º, ou então uma dispersão mais controlada, que conforme as necessidades pode ter várias ângulos, conseguindo-se assim com o mesmo tipo de caixa ter um line-source array que pode cobrir áreas muito distintas. Embora tenham a mesma construção física “não é qualquer um que pode fazer essa modificação”, explica António Antunes com um sorriso. “É possivel converter uma caixa na outra, mas as cornetas são montadas de forma diferente, existem muitas diferenças internas, por fora parece o mesmo, mas não é”, concretiza.

Este LS6 pode ser assim usado num mesmo array uniforme em versão de projecção a longa distância e com elementos adicionais de downfill exactamente com o mesmo perfil. “Devido à abertura que pode ir até 180º, é ideal para downfill, mas pode aproveitar-se para ser colocado em qualquer outra posição dentro de um array. E como existe a possibilidade de se fazer a modificação de forma a ter uma dispersão mais controlada, é possível ainda ter-se mais formas de o utilizar. O sistema está pronto e tem que entrar apenas em produção, faltando trabalhar as opções de rigging que vamos pensar de forma a que seja também motorizado”.

Este sistema, que em Frankfurt estava previsto para entrar em fase de produção, tem assim outro argumento importante, comum nalguns aspectos aos desenvolvimentos feitos para o LS9, que é o seu sistema de rigging.

À semelhança dos line arrays mais recentes que temos visto surgir no mercado, o LS6 foi pensado e desenhado para simplificar a montagem, podendo esta ser feita por um único operador. Basicamente consiste num sistema com rodas dentadas, em que a partir de um ponto central de comando é possível ajustar todos os elementos de fixação, não existindo pinos de ambos os lados de cada caixa mas apenas de um, o que por seu lado vem garantir também que não existem enganos na colocação dos pinos, como por vezes é possível acontecer quando dois riggers ou técnicos estão a montar um sistema e está um de cada lado a colocar pinos. Basta um deles trocar um ponto de pinagem e um sistema inteiro pode sofrer com isso. Existe somente um pino para a zona da dobradiça, e este é único. Toda a angulação do array é feita a partir do tal comando central e do sistema de rodas dentadas que inclusivé permite que todo um array seja montado deitado no chão e, à medida que se vai levantando, é que vai assumindo o ângulo necessário para cada caixa.

Mas novidades podem ainda aparecer na Norton Audio nos próximos tempos, visto que, segundo António Antunes, “continuamos a trabalhar em novas ideias. Portanto ainda há muito caminho a percorrer”. Uma marca que assim está cada vez mais a assegurar a sua posição com um dos grandes fabricantes de sistemas de reforço sonoro a nível mundial.

www.nortonaudio.com

Distribuição em Portugal: www.livesound.pt



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  Na imagem vemos dois dos novos elementos LS9 da Norton Audio tal como apresentados em Frankfurt na Prolight+Sound 2012. Uma das duas novas soluções de line source array de nova geração da Norton Audio, juntamente com o novo LS6
  Na imagem vemos dois dos novos elementos LS9 da Norton Audio tal como apresentados em Frankfurt na Prolight+Sound 2012. Uma das duas novas soluções de line source array de nova geração da Norton Audio, juntamente com o novo LS6
   
 
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