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Segundo a Sennheiser, não devem existir dúvidas sobre a qualidade áudio destes IE 800, uns auriculares que superam todas as limitações detectadas até agora neste tipo de equipamentos. E quais são? Perguntamos nós, interessados... “No passado, os auriculares in-ear têm sofrido limitações mas os IE 800 vêm estabelecer novos padrões num modelo topo de gama. O som dos IE 800 pode competir facilmente com qualquer modelo de auscultadores da nossa gama high-end”, adianta Maurice Quarré, responsável de produto da Sennheiser Consumer Electronics, sem responder à nossa questão (bolas...).
Estes auriculares dinâmicos “oferecem uma resposta de agudos brilhante, com graves precisos e uma imagem detalhada extremamente real, com uma resposta em frequência alargada dos 5 aos 46,500 Hz”, acrescenta a marca em comunicado.
Os IE 800 combinam assim uma tecnologia que a Sennheiser destaca como inovadora, com um desenho moderno e materiais de alta qualidade, nomeadamente através da utilização da cerâmica resistente a riscos na parte exterior dos próprios auriculares, combinando cores preto e prateado que lhe conferem efectivamente um toque “de luxo”. Além disso, a Sennheiser faz questão de reforçar que estes “earphones” são desenvolvidos no quartel-general da marca na Alemanha onde também são fabricados. OK, mensagem recebida...
Voltando às características que distinguem estes IE 800, no seu interior podemos encontrar um minúsculo novo driver da Sennheiser (desenvolvido especialmente para este projecto) designado como Extra Wide Band (XWB), com um diâmetro de apenas 7 mm. Trata-se assim do mais pequeno transdutor capaz de reproduz uma banda larga de frequências (em modo full-range, digamos) alguma vez desenvolvido para auscultadores dinâmicos.
A vantagem, segundo acrescenta a marca, é que o seu princípio funcional garante uma reprodução sem distorção mesmo a níveis de SPL mais elevados. “Até agora, os headphones de alta qualidade têm usado uma abordagem denominada de “estrutura balanceada” com múltiplos drivers”, explica-nos Axel Grell – um técnico da Sennheiser que tem o título de Senior Acoustic Engineer. “Reproduzir todo o espectro de áudio requer vários drivers de banda estreita a funcionar em paralelo. No entanto, isso resulta em pequenos saltos e delays na reprodução de música”, explica.
Em contraste, afirma a Sennheiser, os IE 800 com o seu driver miniaturizado XWB é capaz de reproduzir todo o espectro de áudio audível pelos humanos e para além disso. A vantagem, segundo a marca, é que a música é reproduzida com total qualidade com total precisão temporal – ou seja, sem desalinhamento temporal.
Esta para nós é nova, uma vez que, sendo sistemas de reprodução directos ao canal auditivo, onde a propagação das diferentes frequências é irrelevante, nunca tínhamos ponderado uma questão de desalinhamento temporal – bem conhecida dos profissionais em situações de acústica. Por “saltos”, subentendemos que a Sennheiser está a falar de curvas de crossover nos sinais que alimentam os diferentes drivers. Será que o que a Sennheiser está a dizer é que os circuitos que alimentam três drivers diferentes nos auriculares da concorrência provocam delays audíveis? Interessante...
A dupla abertura
Explicando ainda melhor o esforço de desenvolvimento que a Sennheiser levou a cabo nestes auriculares, a marca afirma que os IE 800 beneficiam da inovação de um sistema magnético “ventilado”. A ideia foi usada pela primeira vez nos auscultadores supraurais HD 700 da marca, como nos explica Axel Grell: “O movimento de oscilação do diafragma produz um fluxo de ar no sistema magnético que causa uma ligeira vibração no mesmo. Ao posicionarmos duas aberturas de ventilação posicionadas de forma exacta, directamente por debaixo dos magnetos, podemos fazer com que o ar flua numa direcção específica. Isso minimiza o movimento oscilatório do diafragma e reduz a distorção harmónica total para menos de 0,06 por cento (comparativamente a 0,1 por cento típico nos melhores modelos actuais, segundo dados publicados nos catálogos)”.
Com os IE 800, a Sennheiser conseguiu também resolver, pela primeira vez, o conhecido “efeito de máscara” que influencia decisivamente qualidade de som. “O ouvido humano é incapaz de perceber determinadas componentes de frequência do som em baixos volumes sempre que existem sons mais altos numa gama de frequências mais baixa a ocorrer ao mesmo tempo”, explica Axel Grell. “Isso significa, por exemplo, que os sons graves mais altos irão mascarar os sons mais fracos na gama de frequências médias. Isso torna-se particularmente evidente nos auriculares (in-ear).
Além disso, ao bloquearmos o canal auditivo com os adaptadores de borracha ou silicone fornecidos, “resultam normalmente ressonâncias com um pico nos 7kHz a 8kHz. Essa ressonância vai mascarar essas componentes de alta frequências. É precisamente esse problema que foi resolvido nos IE 800 através de um absorvente. O sistema de dupla câmara patenteado da Sennheiser absorve a energia da ressonância, ajudando assim a prevenir picos indesejados. O resultado é que todas as componentes nas diversas frequências – mesmo as mais subtis – presentes no material musical, se tornam audíveis”.
Gostámos da explicação, mas gostaríamos de adiantar que, o tal “efeito de máscara” está precisamente por detrás da técnica mais básica de compressão aplicada actualmente na grande maioria dos ficheiros de música em formato digital. Portanto, se ouvem música em MP3 a 128kbps podem ter a certeza que não vão ouvir nunca essas “componentes mais subtis” porque elas já não estão lá sequer...
O que este princípio de funcionamento nos abre são de facto perspectivas interessantes para monitorização de som em situações reais, tal como misturas em palco. Sobretudo a questão de eliminar as ressonâncias internas quando usamos auriculares que de facto nos isolam o canal auditivo – um dos problemas mais sérios que afectam muitos vocalistas, sobretudo. Ficamos com dúvidas é sobre as ressonâncias de 7 a 8kHz. As mais sérias, ocorrem justamente nas frequências graves e mascaram seriamente os médios, como já experimentámos em diferentes sistemas, acrescentamos nós.
Outro aspecto que a Sennheiser realça nestes IE 800 diz respeito ao conforto de utilização – ponto crítico na utilização prolongada. Estes auriculares de construção cerâmica no exterior têm menos hipóteses de irritar a pele (diz a marca) e os adaptadores internos são de silicone em vez de borracha. Isso deverá reduzir o risco de alergias ou irritação da pele. Para garantir um “encaixe” perfeito, a Sennheiser afirma que desenvolveu novos adaptadores com um formato oval, depois de extensos estudos de ergonomia. De acordo com a preferência de cada utilizador, é possível escolher entre os adaptadores ovais (SM/ML) e redondos (S/M/L), fornecidos no pacote. Uma malha protectora nestes adaptadores, serve para proteger os drivers de sujidade.
Enfim, tendo em conta que já temos os IE 80 em excelente conta (tirando o pormenor do preço exagerado – que os coloca já ao nível de in-ears custom made), ficamos com curiosidade sobre estes argumentos dos IE 800, que nos parecem caminhar no bom sentido, embora subsistam dúvidas sobre a teoria da miniaturização dos drivers e a relação conseguida em termos de impedância (24 ohms) neste modelo. Mas aceitando como boa a teoria da Sennheiser – marca que nos merece essa confiança – ficamos à espera de ver essa mesma tecnologia aplicada nuns modelos com menos “perfumaria”, orientados para aplicações profissionais.
Porque essa continua a ser a grande questão em todas as principais marcas. Quando vamos analisar quais os auriculares incluídos nos sistemas in-ear profissionais, são sempre alguns dos modelos de consumo mais correntes...
www.sennheiser.com
Distribuição: www.magnelusa.pt
João Martins
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