|
A produção de filmes documentais tem vindo a crescer exponencialmente nos últimos anos em Portugal. Nomes como Fonseca e Costa, Graça Castanheira, Jorge Pelicano, Catarina Mourão, Joana Pontes, Susana Sousa Dias e Diana Andringa têm apresentado obras de invulgar fôlego cinematográfico em que o som merece grande atenção por parte do realizador - sem, no entanto, desvirtuar a sua raiz documental e, por inerência, o seu cariz realista. Foi por isso mesmo que Diana Andringa recorreu ao estúdio O Ganho do Som, pela segunda vez consecutiva, desta feita para a mistura de “Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta”.
Tendo como ponto de partida o Simpósio Internacional, que decorreu no antigo campo de prisioneiros políticos entre 28 de Abril e 1 de Maio do ano passado, “Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta” apresenta um comovente e pungente retrato das condições de cárcere na primeira pessoa. Para isso, o filme compõe-se, quase na totalidade, de depoimentos captados no interior das próprias celas. São, por isso, quase 90 minutos de discursos gravados com mestria por Armanda Carvalho em condições adversas, como o elevado tempo de reverberação natural daqueles espaços.
O Ganho do Som utilizou em todos os testemunhos o sofisticado processador Cedar Dialogue Noise Supressor 2000, com o objectivo de reduzir a reverberação presente. Este foi um árduo e moroso processo, em que as entrevistas foram analisadas e processadas uma a uma, que permitiu à realizadora uma maior inteligibilidade desse elemento fundamental na sua cinematografia que é a Palavra. O Ganho do Som recorreu, ainda, ao software Cedar Retouch, peça fundamental no áudio forense, para limpar os ruídos estranhos das gravações, consequência das entrevistas terem sido efectuadas durante o período de montagem da exposição e da sua abertura ao público. Este software foi exaustivamente utilizado pelos estúdios Abbey Road na recente remasterização do catálogo completo dos Beatles
“Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta” é o retrato de um Portugal esquecido e que Diana Andringa, ela própria uma prisioneira política em Caxias entre 1971 e 72, continua a lembrar-nos de forma extremamente factual, mas não isenta de paixão. Um dos momentos chave do filme é a apresentação do documento escrito que resolve a criação do campo da morte lenta, assinado pelo então Ministro do Ultramar, Adriano Moreira. A mistura esteve a cargo de João Ganho.
www.oganhodosom.com
|